O Papilomavírus Humano (HPV) representa um grupo diversificado de mais de 200 tipos de vírus, a maioria dos quais é inofensiva para a saúde humana. No entanto, alguns tipos de vírus podem causar verrugas e diversos tipos de câncer, como o de colo de útero. A vacinação precoce é a forma mais eficaz de prevenção, principalmente se for aplicada antes do início da vida sexual (idealmente entre 9 e 14 anos). A administração da vacina nesse período maximiza a resposta imune e a proteção a longo prazo, sublinhando a importância e a urgência da imunização nessa faixa etária.
No Brasil, atualmente, há duas vacinas disponíveis:
- Vacina Quadrivalente (HPV4): Gratuita no SUS, produzida pela MSD, protege contra 4 tipos de HPV (6, 11, 16, 18). Os tipos 16 e 18 causam 70% dos casos de câncer de colo de útero, e os tipos 6 e 11, a maioria das verrugas genitais. O esquema vacinal atual no SUS para adolescentes de 9 a 19 anos é de dose única. Essa estratégia se iniciou no ano passado, na tentativa de ampliar a cobertura vacinal, baseando-se em estudos realizados na África e Índia, em que 1 dose da vacina nonavalente foi eficaz para soroconversão e prevenção da infecção persitente em 99,8% dos adolescentes até 20 anos. A prioridade desta vacina, de acordo com o Ministério da Saúde, é garantir ampla imunização nacional, de forma acessível para a população.
- Vacina Nonavalente (HPV9): Disponível na rede particular, também produzida pela MSD, oferece proteção mais ampla, cobrindo os 4 tipos da HPV4 mais 5 tipos oncogênicos adicionais (31, 33, 45, 52 e 58), ampliando a prevenção do câncer de colo do útero em 90% dos casos. A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda a HPV9, considerada padrão ouro. Para adolescentes de 9-19 anos, meninos e meninas, o esquema é de 2 doses, com intervalo de 6 meses. A revacinação de quem já tomou a HPV4, deve ser feita, sempre que possível, com o objetivo de ampliar a proteção. No entanto, a vacina nonavalente tem como fator limitante o custo de investimento, o que a torna inacessível para muitas famílias.
Ambas as vacinas são seguras e eficazes, mas a decisão de qual aplicar deve considerar o nível de proteção desejado, custo, acessibilidade e a idade do vacinado. É crucial discutir essas opções com um médico para uma decisão informada. O mais importante é que a vacinação seja feita para proteger a saúde futura de crianças e adolescentes.
A próxima geração não precisará passar por isso. Não deixem de vacinar suas crianças. Este é um ato de amor.
Referências bibliográficas:
- Barnabas, R. V., Brown, E. R., Onono, M. A., Bukusi, E. A., Njoroge, B., Winer, R. L., Donnell, D., Galloway, D. A., Cherne, S., Heller, K., Leingang, H., Morrison, S., Rechkina, E., McClelland, R. S., Baeten, J. M., Celum, C., & Mugo, N. R. (2021). Single-dose HPV vaccination efficacy among adolescent girls and young women in Kenya (the KEN SHE Study): study protocol for a randomized controlled trial. Trials, 22(1), 661.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Coordenação-Geral de Incorporação Científica e Imunização. Nota Técnica nº 41/2024-CGICI/DPNI/SVSA/MS: Atualização das recomendações da vacinação contra HPV no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/notas-tecnicas/nota-tecnica-no-41-2024-cgici-dpni-svsa-ms. Acesso em: 3 jun. 2025.
Nota Técnica 15/03/2023 – Atualização das vacinas HPV em uso no Brasil: introdução da nonavalente (HPV9). São Paulo: SBIm, 2023. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nt-sbim-vacina-hpv9-230505.pdf. Acesso em: 3 jun. 2025.


